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Na ressaca da prova de Viana do Castelo… o início da nossa reportagem!

Na ressaca da prova de Viana do Castelo… o início da nossa reportagem!
Races

Todos erramos. Só não erra quem não faz nada. Mas na quarta prova do Campeonato Nacional de Karting, disputada este fim de semana no Kartódromo de Viana do Castelo, errou-se em demasia. Dentro e fora de pista. Infelizmente, os erros sucederam-se em catadupa. Cada cavadela, sua minhoca. Mas já lá vamos… elencá-los.


Para já, vamos falar sobre a pista. Podem considerá-los ‘profetas da desgraça’, mas quando se colocou a hipótese de realizar a prova no sentido contrário aos ponteiros do relógio, para não se repetir o mesmo traçado da prova inaugural – chamando-lhe ‘pista invertida’ ou ‘invert’ (!) como estava escrito nos ‘pratos’ que entregaram na cerimónia de entrega de prémios –, não foram poucas as pessoas que têm anos de Karting a dizer que seria perigoso.

Também me podem incluir como ‘profeta da desgraça’, pois quando soube que a prova iria ser disputada no sentido inverso ao habitual, prontamente disse ao fotógrafo da Vroom: “Lourenço, prepara-te que vais ter muito trabalhinho. Nesta zona da pista, ainda vais fotografar karts a voar”. “Isso sei eu, Filipe’, respondeu-me imediatamente. Antes não soubéssemos ou estivéssemos completamente errados.   

Houve quem dissesse que já tinham experimentado fazer uma “brincadeira dessas” e que deu mau resultado, dado que após a curva que antecede a reta da meta não existe espaço de escapatória suficiente em termos de segurança. E isso verificou-se, infelizmente. Os sacos de esponja que estavam lá colocados não resultaram em termos de segurança. O ‘efeito chicote’ foi evidente, pois os karts que embatiam nos ‘sacos de esponja’ regressavam à pista. Felizmente, em algumas ocasiões, os outros bólides que prosseguiam a corrida conseguiram desviar-se e nada sucedeu. Mas na Final 1 da categoria Cadete, infelizmente, Duarte Ferreira embateu nos ‘sacos de esponja’, foi projetado para dentro da pista, capotou, o susto foi tremendo para todos, mas felizmente o ‘nosso’ Duarte não se lesionou. Mas podia ter sido um caso sério.

Nesse mesmo momento, Matilde Ferreira, Miguel Couteiro e Francisco Órfão (assim como mais alguns pilotos), também acabaram por embater e o cenário piorou. Gritos de quem assistia, pais e mecânicos a saltar para a pista e a gritar pela bandeira vermelha (com receio dos pilotos que se aproximavam pudessem embater em quem estava imobilizado no traçado). A bandeira vermelha lá foi mostrada, mas muito tarde.

Matilde, Miguel e Francisco também não tiveram lesões e alinharam na Final 2, ao contrário de Duarte Ferreira, pois a mãe, Ana Leal, optou por não autorizá-lo. A adrenalina estava instalada – não a que se procura numa prova de Karting, mas outra que ninguém a gosta de sentir. E para retirar deste texto um pouco dessa adrenalina indesejada, reproduzimos um episódio protagonizado por Duarte Ferreira, com os seus 8 anos de idade, depois do reatamento da corrida (na qual obviamente não participou). Uma vez concluída, disse a um dos seus adversários em pista – mas amigo como se pretende dentro e fora dela – ao vê-lo a chorar pelo que havia sucedido: ”Foste segundo classificado e estás a chorar?! Eu é que devia estar a chorar, pois não pude participar na corrida!”. Putos-maravilha que, em poucos instantes, conseguem trocar os semblantes carregados dos adultos por um sorriso e um brilho nos olhos!  

No dia anterior – o primeiro da competição – em que se disputaram as mangas de qualificação, Matilde Ferreira despistou-se no mesmo local. Matilde e o seu kart ficaram completamente cobertos pelos ‘sacos de esponja’ após o embate junto à linha da meta. Não se sabia qual o estado de Matilde e a passividade em dar assistência foi grande. E – pasme-se – foi um fotógrafo em serviço, o Carlos Martins, da Speedshot Photography, que até nem era a pessoa mais próxima do local, que correu de um sítio mais longínquo para tirar os sacos de cima da Matilde e do kart. E só pouco depois, chegaram pessoas afetas à organização.


Ideia infeliz…

A ideia de realizar a prova no sentido inverso ao habitual em Viana do Castelo não foi, de todo, feliz. O Movimento Sport Clube, que regressou à organização de uma prova de Karting do Campeonato Nacional, não feliz. O seu presidente, Fernando Meireles, que também foi diretor de prova, não foi feliz. Não foi feliz até pelo facto de ter tido um problema no pé na sexta-feira anterior à prova e ter de andar a coxear pela pista no sábado e no domingo. Não foi feliz com os comissários que escolheu para ter em pista, pois estes não agiam rapidamente como se impõe numa prova de desporto motorizado, não só nos incidentes que relatamos, mas também noutras situações. Mas a verdade é que qualquer clube organizador, seja ele qual for, não iria ter tarefa fácil em ‘disciplinar’ a prova… pois a realização desta no sentido inverso ao habitual foi um desafio enorme. Mais: os pilotos treinaram pouco tempo na dita ‘pista invertida’, pelo que a probabilidade de errar trajetórias (muitos ainda estão a aprender a fazê-las em pistas que já conhecem há muito) era elevada, sobretudo nas categorias dos mais novos, sendo exemplo, a Cadete, para pilotos dos 7 aos 10 anos, cujos karts já atingem velocidades bem consideráveis.


Os transponders…

Não foi feliz com os transponders: não existiam os vulgarmente designados ‘transponders de prevenção’ para o facto de algum falhar. E, para azar, houve mesmo um que falhou: o do piloto José Barros, da categoria Cadete, que ficou sem qualquer registo nos treinos cronometrados e foi obrigado a largar da 22ª e última posição para a primeira manga de qualificação. Mais um polémica instalada, com o pai do piloto, José Barros, a reclamar bem alto para toda a gente ouvir que ia contatar o seu advogado para exigir uma indeminização.

O facto de não existirem ‘transponders de prevenção’ é grave, já que quem estabelece a volta mais rápida nos treinos cronometrados, assim como na Final 1 e na Final 2, soma um ponto extra para o campeonato. E todos sabemos que um título de campeão nacional tanto se ganha ou se perde por um simples ponto.

Mas não foi só o pai do piloto José Barros a reclamar e a querer impugnar a prova. Na categoria dos mais ‘velhos’, a X30 Shifter e que inclui a Masters, para pilotos com idade igual ou superior a 32 anos, segundo nos disse Paulo Pita, dono da equipa Paulo Pita Racing Team, o seu piloto António Bravo Lima protestou a Final 2, já que o procedimento ‘slow’ – depois de se verificar um acidente, em que Rui Carneiro capotou – não foi bem feito. Para abreviar, as bandeiras amarelas têm de ser mostradas ‘fixas’ em vez de agitadas e isso não se verificou.


O parque fechado…

O parque fechado não foi digno desse nome. Muitos entraram sem poder lá estar. Falta de controlo. E alguns nos diziam: “Já viu isto? Até as namoradas dos pilotos de 14 anos estão lá junto dos pilotos. Como é possível numa prova de um Campeonato Nacional?!”.


Os pneus…

Queixas várias no que diz respeito aos pneus que não permitiam encontrar o melhor ‘set-up’ persistiram da prova anterior, como foi o caso de Diogo Costa Pinto, campeão nacional Juvenil em 2014 e que este ano transitou para a Júnior: “Já experimentámos de tudo para chegarmos a um equilíbrio. Temos pneus com diferenças de 1,2 cm que dificulta encontrar o melhor compromisso em pista. Nem conseguimos fazer as trajetórias corretas”, desabafou o piloto de Arruda dos Vinhos, só para citarmos um exemplo discurso direto, mas o mecânico Vítor Miranda, do piloto João Amaral da categoria X30, também se queixou da mesma situação, assim como outros.

Já outros estavam ‘indignados’ – ou suavizando a expressão, espantados – por não terem podido levantar os pneus de chuva, depois de estarem na fila antes da hora limite de levantamento: 10h00. “A pessoa que estava lá a vender os pneus disse-me que passou a hora limite. Argumentei que já estava na fila, assim como outras pessoas, muito antes das 10h00. Mas de nada valeu. Encerraram às 10h00 e não venderam pneus de chuva a mais ninguém”, contou-nos, Rodrigo Gusmão, pai do piloto Guilherme Gusmão, assim como outros. 


Os outros acidentes…

Lourenço Marques, da categoria Cadete, também capotou numa manga de qualificação, mas ficou bem e alinhou na segunda. João Amaral capotou na terceira volta da Final 1 da categoria X30, ao embater num kart que estava imobilizado em pista após toque com outro. O piloto de Santa Maria da Feira não teve como evitar o choque num desses karts e capotou, dando várias cambalhotas até ficar imobilizado junto aos pneus de proteção. Assistido no local, com escoriações no pescoço do lado direito e no ombro e joelho do lado esquerdo, foi depois encaminhado para o hospital. Felizmente, não existiram consequências mais graves. Mas, mais uma vez, foi um fotógrafo, neste caso, o Lourenço José, da Vroom, a chegar perto do comissário de pista a gritar-lhe para mostrar a bandeira vermelha. Esta só foi mostrada quando praticamente já muita gente se dirigia para o local, com um dos elementos da organização a sair da peanha – onde se encontra o homem da bandeira xadrez – com a ‘morosa’ bandeira vermelha.  

Mas no que diz respeito a estes dois acidentes, assim como o que envolveu Rui Carneiro, da categoria X30 Shifter, em que também capotou, consideramos que poderiam acontecer em qualquer pista. Mas muitos defendiam que a ‘pista invertida’ era igualmente responsável, já que estando o motor do lado direito do kart, se alguém sofresse um toque no lado esquerdo a probabilidade de capotar era bem mais elevada.

 

Algumas opiniões de algumas equipas sobre a prova

 

“Temos que evoluir para outro formato. Os comissários de pista não sabem o que estão a fazer lá dentro e a culpa é dos clubes organizadores. Como pai de dois pilotos e dono de uma equipa que tem mais alguns, como lhes explico estas situações? Pensava que a primeira prova que foi disputada aqui em Viana do Castelo tinha sido má e não se voltariam a repetir determinadas situações. Mas enganei-me, infelizmente. A segunda jornada, em Fátima, foi igualmente mal organizada e em Braga também. Agora, foi de bradar aos céus. Isto tem vindo a piorar. Como dono de uma equipa, ex-piloto e futuro piloto, pois pretendo continuar a correr no Karting, espero que se encontre uma solução o mais rapidamente possível. Quem esteve aqui e assistiu a isto – pais, pilotos, equipas, etc… –, tem de reportar à FPAK. Mas também estão aqui elementos da FPAK e espero que hajam em conformidade”, disse-nos Frederico Castro, chefe de equipa da Madi Motorsport, representante dos chassis Maranello em Portugal, que desde há três anos tem trabalho sobretudo com a categoria iniciação e foi campeão nacional da X30 Shifter Master em 2014.


“Estamos tristes com tudo o que aconteceu. A escolha da pista foi má. As organizações continuam a errar muito em vários aspetos. E estamos à-vontade para dizer isto, porque o fim de semana em termos de resultados foi positivo para nós. Mas temos de ver isto como um todo e não olhar só para nós”, frisou Luís Quaresma, ‘porta-voz’ da Max Power Karteam.           


“Digo-lhe rapidamente o que é preciso mudar urgentemente: temos de ter um promotor, uma equipa organizativa permanente e um colégio capaz. Senão ninguém se entende. O que se aproveitou desta prova foi zero! Falharam coisas básicas que são inconcebíveis. Estamos a falar de um campeonato nacional. E para concluir, só vou dizer mais isto: homologar esta pista para correr nela em sentido contrário é inadmissível”, lamentou Fernando Cabo, chefe de equipa do Team FCK Motorsport, visivelmente chateado, mesmo apesar de já terem passado algumas horas depois de ter terminado a prova.


“Já disse há muito tempo que isto não pode continuar assim. As organizações são más e hoje foi mau demais. Utilizando uma expressão que atualmente muito utilizam, é preciso ‘refundar’. É preciso repensar. Espero que quem de direito o faça”, sublinhou Aurélio Rodrigues, chefe de equipa da Red Line Motorsport.  


“A nível organizativo há muita coisa a rever. É preciso formar comissários. As equipas e os pilotos estão a evoluir e as organizações não. É preciso fazer urgentemente alguma coisa”, comentou Abílio Silva, da equipa Motocane Competições, também visivelmente desapontado com a prova deste fim de semana.


“Esta prova foi muito má em termos organizativos”, sintetizou Cristóvão Sousa, chefe de equipa da Ykart Competition Team.


“Estamos tristes pela forma como decorreu a prova. Não temos tido organizações capazes. As equipas e os seus pilotos evoluem e as organizações não”, era também o sentimento de Ruka Gomes, representante dos chassis Mad-croc em Portugal, para depois Paulo Ferreira, que está na equipa desde a sua formação acrescentar: “Muita coisa está mal. Por exemplo, a questão dos pneus já devia ter sido resolvida há muito tempo. Mas só vou deixar esta questão no ar: nas provas que disputamos no estrangeiro com 300 pilotos, as organizações não se atrasaram um minuto e aqui, em Portugal, uma prova com 70 pilotos existem sempre atrasos. Por exemplo, nesta, a cerimónia de entrega de prémios já devia ter começado há uma hora”.


Ainda tentámos ouvir opiniões de mais equipas, mas os seus responsáveis já não estavam no Kartódromo de Viana do Castelo… ou não os encontramos, apesar das nossas tentativas. Mas vamos insistir em contatá-los, pois também têm direito à sua opinião.


E agora?

Agora, tal como já mencionaram por outras palavras alguns responsáveis de equipas, compete a todos os intervenientes ‘não baixar os braços’ para que o Karting continue a evoluir em Portugal, aprender com os erros e não ‘viver de fantasmas’, pois acreditamos que a quantidade de erros que se cometeu não se voltará a repetir.

A Vroom Karting Portugal sabe que os elementos da FPAK que estiveram na prova consideraram, a dado momento, não prosseguir com a mesma por falta de condições. Mas deram o ’benefício da dúvida’ ao clube organizador para minimizar o prejuízo de todos e terminar tudo da melhor forma possível. Mas certamente que a entidade federativa – que reuniu imediatamente esta segunda-feira – não permitirá que situações do género voltem a acontecer. Aliás, hoje, já emitiu um comunicado, que aqui reproduzimos na íntegra: “Na sequência dos acontecimentos verificados no fim-de-semana de 18 e 19 de Julho aquando da realização da quarta prova pontuável para o CNK 2015, a FPAK informa que vai convocar um representante da comissão organizadora do clube Movimento Sport Clube, o director de prova, o director de corrida assim como o promotor do campeonato nacional para apurar os factos ocorridos durante a mesma.


Comunicado 038/2015-FPAK

Lisboa, 21 de Julho de 2015”


Só para finalizar…

Os ânimos também se exaltaram para a Vroom Karting Portugal – mas nós não –, dizendo-nos o pai de um piloto que também somos responsáveis porque não relatamos muitas situações que se passam nas provas. Respeitamos a opinião, mas não concordamos. E, por falar em relatos, vamos colocar um ponto final neste… pois já vai longo.

Importa agora escrever sobre o que se passou em pista em termos desportivos com os 73 pilotos que, apesar de tudo, ainda nos presentaram com belas corridas. Prometemos ser breves a publicar os textos e fotos de cada categoria, agradecendo desde já, a vossa compreensão, pois o fim de semana, face aos acontecimentos, foi igualmente atribulado para nós.


Texto Filipe Cairrão

Foto VVL Sport Image

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